Qual a diferença entre
um fuzil que empregue a velha munição de mosquete típico da
Primeira Guerra Mundial e um fuzil desenhado para usar munição
baseada no 7,92 Kurz alemão? Costuma-se dizer que a grande diferença
entre o 7,92 Kurz e o velho 7,92 x 57 Mauser seria o peso do cartucho
completo, o que não deixa de ser verdade, mas a construção geral
da arma é que sofre a maior mudança, não só pela construção
mais delgada, já que a menor potência do tiro demanda menos
material, mas também pelo menor comprimento de todas as peças da
arma.
Uma munição mais
curta permite um carregador mais curto, um ferrolho mais curto e um
curso de ferrolho menor, o que permitirá um cofre de mecanismo mais
curto também.
No quadro abaixo
arbitrei que a distância entre a ponta da munição e a câmara do
fuzil seria um quarto do comprimento total da munição e a distância
entre a base da munição no carregador e a parte traseira do
ferrolho (onde fica a parte do percussor que é tocada pelo cão)
arbitrei em 30 mm.
A B C D E F G H I J K
79,92x33 Kurz 33 49 16 12,25 49,00 49,00 30,00 91,25 231,50 0,9
7,62x39 M1943 38,7 56 17,3 14,00 56,00 56,00 30,00 100,00 256,00 1
7,62 NATO 51,18 69,85 18,67 17,46 69,85 69,85 30,00 117,31 304,48 1,19
7,92x57 Mauser 57 82 25 20,50 82,00 82,00 30,00 132,50 347,00 1,36
30-06 63,3 85 21,7 21,25 85,00 85,00 30,00 136,25 357,50 1,4
LEGENDAS:
A Cartuchos
B Comprimento do estojo
C Comprimento da munição
D Comprimento que projétil acrescenta à munição
E distância do carregador até a câmara (¼ do comprimento da munição)
F Comprimento horizontal do carregador (o mesmo da munição)
G Comprimento da câmara (o mesmo da munição)
H Distância entre a traseira do ferrolho e a base da munição (arbitrei em 30 mm)
I Comprimento do ferrolho
J Comprimento do cofre (duas vezes o ferrolho mais a câmara)
K Comparação com o ferrolho de uma arma em calibre 7,63 x 33 mm (AK-47)
79,92x33 Kurz 33 49 16 12,25 49,00 49,00 30,00 91,25 231,50 0,9
7,62x39 M1943 38,7 56 17,3 14,00 56,00 56,00 30,00 100,00 256,00 1
7,62 NATO 51,18 69,85 18,67 17,46 69,85 69,85 30,00 117,31 304,48 1,19
7,92x57 Mauser 57 82 25 20,50 82,00 82,00 30,00 132,50 347,00 1,36
30-06 63,3 85 21,7 21,25 85,00 85,00 30,00 136,25 357,50 1,4
LEGENDAS:
A Cartuchos
B Comprimento do estojo
C Comprimento da munição
D Comprimento que projétil acrescenta à munição
E distância do carregador até a câmara (¼ do comprimento da munição)
F Comprimento horizontal do carregador (o mesmo da munição)
G Comprimento da câmara (o mesmo da munição)
H Distância entre a traseira do ferrolho e a base da munição (arbitrei em 30 mm)
I Comprimento do ferrolho
J Comprimento do cofre (duas vezes o ferrolho mais a câmara)
K Comparação com o ferrolho de uma arma em calibre 7,63 x 33 mm (AK-47)
Usando estes
parâmetros, uma arma dimensionada para usar o potente 30-06 do fuzil
Garand terá 40% mais comprimento, só no cofre. Além da necessidade
de usar mais aço para suportar o disparo bem mais potente do 30-06
(83% mais energia cinética que um tiro de AK-47), esta maior
quantidade de aço deverá ser usada num engenho necessariamente todo
mais longo.
O grande feito do
Sturmgewehr foi liberar os projetos das munições pesadas, que
tornavam as armas pesadas e incontroláveis.
Agora, uma tabela com
energia cinética e momento.
Cartuchos projétil velocidade energia comparação momento comparação
pés/seg
79,92x33 Kurz 125 2250 1404,94 0,89 5,55 0,95
7,62x39 M1943 123 2400 1572,93 1 5,83 1
7,62 NATO 150 2800 2610,9 1,66 8,3 1,42
7,92x57 Mauser 198 2600 2971,63 1,89 10,17 1,74
30-06 165 2800 2871,99 1,83 9,12 1,57
pés/seg
79,92x33 Kurz 125 2250 1404,94 0,89 5,55 0,95
7,62x39 M1943 123 2400 1572,93 1 5,83 1
7,62 NATO 150 2800 2610,9 1,66 8,3 1,42
7,92x57 Mauser 198 2600 2971,63 1,89 10,17 1,74
30-06 165 2800 2871,99 1,83 9,12 1,57
Os valores da tabela não são
definitivos, existem muitas munições num mesmo calibre com
diferentes velocidades e diferentes projéteis; apenas tentei pegar
os dados das versões mais típicamente encontradas entre os
soldados.
O 7,92 Mauser clássico
é muito potente, o que traz outra discussão: maior ainda foi o
feito do FG-42, que foi o primeiro fuzil 100% operacional utilizando
munição de mosquetão e pesando pouco mais que um StG-44. O FG-42
pede 50% mais material na construção, tendo 112% mais energia
cinética e 83% mais momento que o StG-44, mas pesa apenas 11% mais.
Realmente um grande feito. É bem verdade que a construção do FG é
totalmente diferente da construção de um StG, exatamente onde está
a engenharia formidável dessa arma. O que teria sido um FG
disparando a munição 7,92 x 33?
O FAL é uma arma que
faz o trancamento no corpo, o que é ótimo para a limpeza, mas
péssimo para a vida útil da arma. Após 17 mil tiros a caixa de
culatra do FAL fica 0,25 mm mais longa e o headsapace fica
perigosamente comprometido; é quando o FAL é repotenciado (como uma
retífica de motor). Se o FAL fizesse o trancamento diretamente entre
ferrolho e cano, seu corpo poderia ser mais fino e ele não
precisaria ser repotenciado depois de meros 17 mil tiros. O AK-47,
além de disparar uma munição menos potente, faz o trancamento do
cano diretamente na área da câmara, liberando o corpo para ser
feito materiais menos nobres e/ou mais leves.
Mas, quem é o pai dos
fuzis de assalto? E o que é um fuzil de assalto? Um fuzil de assalto
é uma arma que atira quase como uma submetralhadora nas distâncias
curtas e quase como um mosquetão nas distâncias longas, algumas
características:
- Tem carregador destacável de trinta tiros ou mais;
- Acerta um homem à quatrocentos metros, e;
- Dispara rajadas quando necessário sem desperdiçar munição.
A possibilidade de
emprego de coronhas dobráveis e o punho de pistola vieram como
consequências.
As miras abertas e
próximas foram usadas no StG-44 e no Kalashnikov por serem miras
rápidas e usáveis até por quem não tem visão muito acurada, não
significa que uma arma com grande distância entre miras na
configuração “peep sight” não possa ser um fuzil de assalto
(como o belga FNC).
FAL, FG-42, M-14 e BAR
não são fuzis de assalto (o BAR nem é um fuzil, ela só atira em
automático e por ferrolho aberto – na realidade é uma
metralhadora leve com nome errado).
Como o trancamento do
StG-44 é totalmente diferente do trancamento do AK-47, alguns
insistem na falta de parentesco entre os dois, o que é um erro, pois
o militar não se importa com os detalhes funcionais dos mecanismos,
o que ele quer é a dupla “layout + forma de emprego”, sobretudo
a forma de emprego.
Quem lançaria uma arma
de cano excepcionalmente curto, munição curta e menos potente,
miras abertas e não muito afastadas, carregador destacável de
trinta tiros e capaz de disparar rajadas se o StG-44 não tivesse
sido fabricado?
O fuzil AK-47 é uma
versão russa do Sturmgewehr, mas usa ferrolho rotativo e um mecanismo de
gatilho de espingarda Browning 1906. A frase de Lee Ermey “nothing
can be further from reality” foi exagerada.
O parentesco não é o
mesmo que notamos entre a Borchardt e a Luger, entre o Kalashnikov e
o Galil, mas ele existe sim.
Parentesco por
parentesco... a Maxim é uma carabina Henry (que é uma Volcanic)
onde o movimento da alavanca é feito pelo recuo; a Borchardt é uma
Maxim de mão com o joelho quebrando para cima e a Luger é uma
Borchardt menos medonha e canhestra. Veio tudo da Volcanic!
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