Stalin, livre de seu último adversário político, nem por isso desistiu da caça aos trotskistas. O exemplo francês é muito revelador do reflexo mental adquirido pelos militantes comunistas relativamente aos militantes das pequenas organizações trotskistas. Durante a ocupação, na França, não está excluída a possibilidade de alguns trotskistas terem sido denunciados por comunistas às polícias francesa e alemã. Nas prisões e nos campos franceses de Vichy, os trotskistas foram sistematicamente postos em quarentena. Em Nontron (na região francesa de Dor-dogne), Gérard Bloch foi relegado ao ostracismo pelo grupo comunista liderado por Michel Bloch, filho do escritor Jean-Richard Bloch. Encarcerado em Eysses, Gérard Bloch foi avisado por um professor católico de que o grupo comunista da prisão decidira executá-lo, estrangulando-o durante a noite.
Nesse clima de raiva cega, o caso do “desaparecimento” de quatro trotskistas, entre os quais Pierre Tresso, fundador do Partido Comunista Italiano, em poder do maquis FTP “Wodli”, instalado na região francesa do Alto Loire, adquire todo o seu significado. Evadidos da prisão de Puy-en-Velay, em l de outubro de 1943, ao mesmo tempo que seus camaradas comunistas, cinco militantes trotskistas foram “protegidos” por esse grupo de resistentes comunistas. Um deles, Albert Demazière, separou-se acidentalmente de seus camaradas. Foi o único sobrevivente dos cinco. Tresso, Pierre Salini, Jean Reboul e Abraham Sadek foram executados no final de outubro, após um julgamento simulado e muito significativo. As “testemunhas” e protagonistas ainda vivos relatam que esses militantes haviam, com efeito, planejado o “envenenamento da água do campo”, acusação medieval que nos remete às origens judaicas de Trotski (cujo filho, Serguei, também foi acusado na URSS de ter as mesmas intenções) e de pelo menos um dos membros do grupo (Abraham Sadek). Dessa forma, o movimento comunista demonstrava que não estava isento da mais grosseira regressão anti-semita. Antes de serem mortos, os quatro trotskistas foram fotografados, provavelmente para serem identificados pelas instâncias superiores do PCF, e obrigados a escrever as suas biografias.
página 155 de O LIVRO NEGRO DO COMUNISMO
Em plena guerra, os comunistas ainda encontravam tempo para assassinar supostos inimigos do sistema bem longe da URSS.
Nenhum comentário:
Postar um comentário