Página 173 do LIVRO NEGRO.
Ninguém pensa nisso quando soluça vendo a bobagem do quadro Guernica (que eu vi em Madrid e não é nada espetacular).
No início de 1938,200 antifascistas e anti-stalinistas estavam detidos na “ceka” de Santa Úrsula, então chamada de o Dachau da Espanha republicana, numa referência ao primeiro campo de concentração aberto pelos nazistas para perseguir os seus opositores. “Quando os stalinistas decidiram construir ali uma 'ceka', o pequeno cemitério estava sendo limpo”, conta uma das vítimas. “Os 'tchekistas' tíveram então uma idéia diabólica: deixaram o cemitério tal qual estava, com os seus túmulos abertos, os seus esqueletos e os seus mortos mais recentes em estado de decomposição. E era lá que, por muitas e muitas noites, ficavam trancados os presos mais recalcitrantes. Eles aplicavam outros suplícios particularmente brutais: muitos prisioneiros eram pendurados pelos pés, de cabeça para baixo, durante dias inteiros. Outros eram trancafiados em pequenos armários, com minúsculos orifícios na altura do rosto, para que pudessem respirar minimamente... Havia também um suplício ainda mais cruel: o da gaveta. Eles obrigavam os prisioneiros a se agacharem dentro de umas caixas quadradas e a permanecerem naquela posição durante vários dias; alguns ficavam assim oito ou dez dias sem poderem se mexer...” Para essa tarefa, os agentes soviéticos recorriam a indivíduos depravados, que sentiam que os seus atos mereciam a aprovação da Pasionaría, aliás, foi justamente ela quem declarou num comício comunista realizado em Valência: “Mais vale condenar cem inocentes do que absolver um só culpado.”
Nenhum comentário:
Postar um comentário