Em 1983, creio que na revista Defesa Latina (mas pode ter
sido Tecnologia e Defesa), li um pequeno artigo sobre uma submetralhadora
chamada LAPA, uma 9 mm com alça de transporte parecida com a do AR-15 (que na
época, para mim, era o fuzil mais bonito já criado). Na mesma época li sobre a
submetralhadora CEV M-1 da Companhia de Explosivos VALPARAIBA, a arma na
verdade era uma BERGOM (desenhada pelo mesmo criador da LAPA) simplificada (e
possivelmente arruinada).
Passaram-se anos, em 1988 fui convidado a trabalhar na
TAURUS para fazer carreira partindo de copista, produção e, finalmente,
projetista; recusei pois achei que ficaria preso à TAURUS. Como nada desenhei
depois disso, devo ter feito má escolha. Não importa.
Em 1999 resolvi criar meu site de desenhos e ideias bizarras
sobre armas leves, um especialista que escrevia na Tecnologia e Defesa(*), entre
outras revistas do segmento, viu e me colocou em contato com o criador da LAPA,
o projetista Nelmo Suzano, com quem me encontrei em fevereiro de 2000 em Nova
Friburgo. Saí de Nova Friburgo achando que para lá voltaria para aprender os
truques acumulados pelo professor Nelmo em mais de cinquenta anos estudando e
criando armas leves. Em fevereiro de 2000 o professor estava com 69 anos, achei
que ele viveria muito, sua mãe tinha 94 anos e estava aparentemente bem.
Naquele ano de 2000 o professor teve um problema que
prejudicou sua visão e sua mãe morreu, o tempo foi passando e o cenário
brasileiro de armas leves foi arruinando-se ainda mais, mas eu só concluí que
não trabalharia em Nova Friburgo de maneira alguma só uns dois anos depois.
O tempo passou, veio a desilusão e os concursos públicos,
passei na Petrobras e vim parar no Rio. O ORKUT trouxe comunidades sobre armas
leves, onde fiz muitos desafetos e acabei conhecendo até um sujeito que
estagiara com o professor Nelmo anos antes; disse o sujeito que o professor
estava em Copacabana em 2008, como o sujeito se achava muito importante, nem
pedi para me colocar em contato com o professor. De tempos em tempos digitava o
nome de Nelmo Suzano na internet para ver se havia alguma novidade, um site
tratando de suas armas, um reconhecimento ou uma nota de falecimento: nesta
semana descobri que ele morreu em setembro de 2013.
Foi-se um dos últimos desenhistas de armas do Brasil; seu
sócio, e criador da submetralhadora URU, Olímpio Vieira de Melo, morrera muitos
anos antes. Até onde sei ainda pode existir um PM de Minas chamado Genaro; de
resto, inexistem projetistas de armas leves no Brasil.
Gaston Glock e Georg Luger passaram a trabalhar efetivamente
com armas leves na passagem dos 49 para os 50 anos. Ainda há esperança para
mim.
Imagino que o ferrolho rotativo revolucionário que manuseei
em Nova Friburgo esteja morto e enterrado, bem como o trancamento da
submetralhadora BERGOM e o fuzil LAPA com gatilho de ação dupla e burst de três tiros.
Acho que nos conhecemos no Orkut, não? Criei lá a comunidade Atiradores e Colecionadores e hoje mantenho o Armas Online. Cordiais saudações.
ResponderExcluirInfelizmente aqui no Brasil as pessoas não sabem valorizar sua própria gente, esse não é o primeiro gênio brasileiro que faleceu no esquecimento.
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