segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A QUASE PERFEITA UZI

Passeando pelos vídeos do YOUTUBE concluí que a UZI foi, praticamente, a melhor submetralhadora de ferrolho aberto produzida.

As duas versões da UZI:

A mãe da UZI, a tcheca  ZK-476:


É uma arma relativamente curta (470 mm), sobretudo para uma arma com 260 mm de cano.
A trava de empunhadura evita que o ferrolho corra quando armado ou desarmado. Se a arma levar uma grande impacto e o ferrolho tentar escapar da armadilha, ela não atira. Se a arma levar um forte impacto na traseira, estando o ferrolho desarmado, a inércia não é capaz de lançar o ferrolho para trás (o que pode coletar uma munição do carregador e provocar um disparo acidental).
O seletor de tiro pode não ser fantástico para os canhotos, mas está numa bela posição para os destros.
A alavanca de manejo não se move durante o disparo e, a grande maravilha da UZI, se ela escapar da mão ou de outro obstáculo qualquer que a leve para trás, uma engenhosa cremalheira impede que a alavanca de manejo corra para frente quando em contato com o ferrolho.
A coronha é bem compacta e pode ser aberta e fechada sem tirar a mão da empunhadura.
Apesar de atirar por ferrolho aberto e ter um ferrolho pesado, ela atira muitíssimo bem em intermitente, o que não é comum.
Sua cadência de 650 tiros por minuto é levemente mais alta que o ideal, mas nada que atrapalhe, como numa FAMAE ou MAC-10.
É um pouco pesada para os nosso dias, mas na Segunda Guerra seria considerada leve.
O cano é fácil de trocar.
Miras reguláveis e bem protegidas.
Ela só tem um defeito: por usar percussor fixo; se a munição, por alguma razão, como estojo deformado ou sujeira na câmera, travar parcialmente introduzida no cano, ocorrerá um disparo do mesmo jeito, mas sem suporte para as paredes do estojo, que acabará se rompendo, podendo provocar danos e até mesmo ferir o usuário.
Numa Thompson, Orita, Vesely ou Welgun o percussor é acionado pela aproximação do ferrolho. Quando falta 1 mm para o ferrolho atingir sua posição mais adiantada, um mecanismo parecido com uma gangorra faz o percussor correr para frente. Se a munição emperrar, o ferrolho atinge a base da munição sem percutir a cápsula (militares chamam a espoleta de cápsula e a cápsula de estojo).
Melhor seria se ela tivesse um percussor ao estilo da Thompson ou da romena Orita.

Ferrolho aberto por quê?
Entende-se por ferrolho aberto a arma onde, no momento em que é pressionado o gatilho, o ferrolho encontra-se armado para trás e, consequentemente, não há munição no cano. O ferrolho corre para frente, coleta uma munição do carregador, a introduz no cano e aí então ocorre o disparo.
Qual o ferrolho aberto que eu gosto? É o API! API significa ADVANCED PRIMER IGNITION, ou detonação prematura da cápsula. No sistema API a detonação da cápsula ocorre enquanto o ferrolho ainda se move para frente. Numa arma API, antes que o ferrolho corra para trás, é preciso que a detonação da munição o freie (ainda que parcialmente). Ao empregar parte da potência de recuo da munição para consumir parte do momento do ferrolho, a arma pode trabalhar com um ferrolho mais leve mantendo a mesma cadência de fogo.
Nas armas automáticas o corpo da arma tende a saltar para frente quando atingido pelo ferrolho, nas submetralhadoras com API não é diferente e nessa corrida para frente ainda há momento (massa x velocidade) no ferrolho; daí eu dizer que o ferrolho é apenas parcialmente parado pela detonação. Há quem diga que numa submetralhadora com API a munição dispara ainda correndo para frente. Não é verdade. Ela precisa estar parada em relação ao ferrolho para que a espoleta seja amassada pelo percussor.
O ferrolho aberto ainda traz uma última vantagem: quando o atirador solta o gatilho depois de atirar muito, não há munição no cano para absorver o calor do cano e disparar de maneira espontânea (cook off).
Há vantagem no ferrolho fechado? Sim! Uma arma de ferrolho fechado será sempre potencialmente muito mais precisa que uma arma de ferrolho aberto.

Pino percussor ativado por aproximação como consta da patente da submetralhadora VESELY:
O ferrolho move-se da direita para a esquerda. O pino azul bate contra o suporte do cano, gira a alavanca verde, o percussor vermelho é arremessado contra a cápsula.


As peças do modelo original:


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